Sábado, 25 DE Outubro DE 2008

Lendas e Mitos da Nazaré

 

 

Neste livro estão registadas vinte e uma lendas e quatro mitos. Artistas locais ilustram os trabalhos em questão. Aguarda publicação. O artista plástico Carlos Filipe ilustrou a capa com uma imagem bastante sugestiva do mistério que envolve uma das mais enigmáticas lendas da Nazaré e que foi escrita em co-autoria com António Henriques Vagos Esgaio.

A Lenda da Pedra Gravada, a Lenda da Senhora da Nazaré, a Lenda de Bastião Fernandes, a Lenda da Parteira da Meia Laranja e o Mito da Pata do Cavalo são alguns dos assuntos abordados neste livro escrito em jeito de reportagem.

Sexta-feira, 24 DE Outubro DE 2008

O Ermitão

 

 

     Era a partir de Junho que começavam a chegar os banhistas à Nazareth. A partir dos primeiros dias de Setembro, chegavam em grande número. Muita gente vinha de lugares distantes como Santarém, Almeirim, Tomar e até de Pombal. Muitos, desse último lugar, apesar da distância, e embora se deslocassem a pé ou em carros de bois, preferiam a praia da Nazareth à da Figueira da Foz. Mantinham, assim a tradição de seus avós que também eles preferiram a maior segurança e os encantos oferecidos pela magnífica enseada da Nazareth.

     O seu próprio encanto também tinha o luar; em noites quentes de verão, a Lua cheia decorava as ruas e os largos com a sua luminosidade mágica e o mar refletia numa longa passadeira oscilante poéticas reverberações prateadas, evocando nos mirantes a expressão de sublime sentimento. Grupos de banhistas juntavam-se, congregavam-se pelas ruas e pelos largos; passeavam, cantavam canções populares, faziam fogueiras à volta das quais se recordavam velhas histórias. Nas casas mais abastadas, havia as habituais reuniões-de-famílias onde, à frouxa luz de lampiões e candelabros, se ouvia música, se falava de política, das criadas, da moda, se comentava a aparência das novas famílias que chegavam para férias, e se falava sempre do rendez-vous do banho desse dia.

     Em meados de setembro de 1840, numa noite de festa e de luar, em plena Praça do Comércio, enquanto uma filarmónica executava uma suave passagem de adágio que melancólica se diluía por entre as trémulas sombras do público e escassas árvores por ali existentes, a figura magra de um monge apareceu infiltrando-se, serenamente, por entre o público, a esmolar.

     A música daquela noite tinha uma dupla finalidade: ajudar a angariar fundos para auxílio de pescadores menos favorecidos e alegrar a vida noturna das imensas famílias que se encontravam a banhos. Muitos meteram mão ao bolso, solidariamente, por duas vezes: uma no peditório de auxílio à classe marítima e outra para a estranha, mas simpática figura que, súbita e notoriamente, entre eles aparecera.

     Esta amável personagem que surgiu, ninguém sabe de onde, a esmolar durante a festa de caridade, não revelou a ninguém de onde era nem de onde viera. Fugiu delicada e astuciosamente às perguntas que lhe fizeram; a muitos respondeu apenas que chegara naquela noite e naquele instante àquele local. A outros disse que era de muito longe e que a sua vida não podia interessar a ninguém. Estas respostas deixaram a população local e os banhistas ligeiramente intrigados __ nunca ninguém aparecera ali, na Praia, daquele jeito a esmolar sem querer identificar-se.

     Os músicos tocaram até perto da meia-noite. Um casal ofereceu a sua casa ao monge para que lhe servisse de abrigo naquela noite; o estranho aceitou. No dia seguinte partiu em direção ao Monte de São Brás. Ali fixou residência.

Sexta-feira, 24 DE Outubro DE 2008

O Vazio do Nada

 

Edição de 1998                   O autor em 1998

 

Soares de Passos, autor da segunda geração romântica, no seu poema O Firmamento preludia a chamada poesia científica.

Mais tarde, António Gedeão utiliza os dados científicos para ilustrar a sua visão das coisas.
No Limite de Idade, Vitorino Nemésio segue uma temática na linha de António Gedeão, embora aproveitando de forma mais sistemática e programada os dados da ciência para com eles construir os seus poemas líricos.
É na sequência deste longo processo que o autor do livro intitulado O Vazio do Nada modelou em parte a sua poesia, procurando entrar no patamar da Ficção Científica.
Os três poemas de Ficção Científica que se encontram publicados n’O Vazio do Nada, livro editado em 1998, sob a chancela da Editorial Minerva, trilham na Poesia de Ficção Científica Portuguesa uma dimensão muito peculiar, daí a importância deste livro na Poesia Portuguesa Contemporânea.

O Vazio do Nada é, na essência, uma experiência poético-filosófica de profunda angústia existencial. O poeta, o ser, trespassa vários níveis da existência e depara-se frequentemente com o vazio, com o nada, com o inexistente…Nesses abismos, desprovidos de qualquer razão, qualquer sentido que justifique a vida, o existir, as coisas… o próprio 'eu' sempre na mira de um mais além, espantosa e paradoxalmente afirma-se como sendo nada porque… o nada em toda a dimensão o sente!? Este angustiante querer-sem-ser é talvez a característica mais profunda do vazio em cada ente.

Sábado, 18 DE Outubro DE 2008

Expressões da Nazaréth

 

1ª Edição - 1988                    2ª Edição - 2006

 

A Nazaré é provavelmente a terra portuguesa que tem maior número de expressões idiomáticas próprias. Sesimbra é detentora de um número significativo de expressões semelhantes, mas não tão elevado quanto o pertencente à Nazaré. Na obra intitulada Expressões da Nazaréth estão registadas as expressões usadas quotidianamente pelos nazarenos, expressões que são desconhecidas das outras terras do concelho.
Para se conhecer melhor a Nazaré e os nazarenos é necessário ler-se este livro. Pois ele transporta para as expressões muito do que é a maneira de agir e de pensar dos nazarenos e demonstra que a Nazaré, linguisticamente falando, é uma zona que se demarca do resto do país por ter desenvolvido um tão elevado número de expressões idiomáticas, ter criado vocábulos próprios e até de ter inventado um modo de entoação da fala único em Portugal.
O livro intitulado Expressões da Nazaréth, de Armando Sales Macatrão, foi apresentado ao público, pela primeira vez, no dia 19 de Novembro de 1988, no Salão de Baile do Cine-Teatro (Rua Dr. Ruy Rosa), na Nazaré. Neste dia de lançamento do livro o Dr Saavedra Machado (Director do Museu da Nazaré), o autor nazareno José Soares, António Henriques Vagos Esgaio (do programa Microfone da Rádio Nazaré), Norberto Isaac (Presidente da Biblioteca da Nazaré) e o próprio autor falaram à volta da temática do livro.
No dia anterior ao de o lançamento (18 de Novembro) fui entrevistado, pelas 13:45, por Eduardo Rego, jornalista do Canal 1 da Rádio Renascença de Lisboa. Ali, pela primeira vez, fez-se a divulgação pública do livro a nível nacional.
Nesta primeira edição, para além do registo de 22 vocábulos locais e de cerca de três centenas e meia de expressões idiomáticas da Nazaré, contém duas pequenas notas que servem de introdução à temática desenvolvida no livro, sendo uma de Joaquim José Sales Grilo e outra de António Henriques Vagos Esgaio.
A segunda edição (ampliada) teve lugar no dia 8 de Dezembro de 2006, no salão da colectividade Mar Alto (Largo Afonso Zuquete) e contém 438 expressões idiomáticas. Nela também se encontram registados 76 vocábulos locais, 408 corruptelas e vários episódios da história local.
Para além das duas pequenas notas já referenciadas, contém ainda um prefácio da autoria do Dr. José Maria Trindade e uma outra nota intitulada Duas Palavras da Liga dos Amigos da Nazaré.
Esta nova edição só foi possível graças aos apoios prestados pela Liga dos Amigos da Nazaré e pelos seguintes Patrocinadores: Livraria Susy, Crédito Agrícola, Caixa Geral de Depósitos, Delta Marisco, Biblioteca da Nazaré, CasaHotel, S.M.I.N. e Junta de Freguesia de Nazaré (que adquiriu alguns livros posteriormente à edição).