O Vazio do Nada

 

Edição de 1998                   O autor em 1998

 

Soares de Passos, autor da segunda geração romântica, no seu poema O Firmamento preludia a chamada poesia científica.

Mais tarde, António Gedeão utiliza os dados científicos para ilustrar a sua visão das coisas.
No Limite de Idade, Vitorino Nemésio segue uma temática na linha de António Gedeão, embora aproveitando de forma mais sistemática e programada os dados da ciência para com eles construir os seus poemas líricos.
É na sequência deste longo processo que o autor do livro intitulado O Vazio do Nada modelou em parte a sua poesia, procurando entrar no patamar da Ficção Científica.
Os três poemas de Ficção Científica que se encontram publicados n’O Vazio do Nada, livro editado em 1998, sob a chancela da Editorial Minerva, trilham na Poesia de Ficção Científica Portuguesa uma dimensão muito peculiar, daí a importância deste livro na Poesia Portuguesa Contemporânea.

O Vazio do Nada é, na essência, uma experiência poético-filosófica de profunda angústia existencial. O poeta, o ser, trespassa vários níveis da existência e depara-se frequentemente com o vazio, com o nada, com o inexistente…Nesses abismos, desprovidos de qualquer razão, qualquer sentido que justifique a vida, o existir, as coisas… o próprio 'eu' sempre na mira de um mais além, espantosa e paradoxalmente afirma-se como sendo nada porque… o nada em toda a dimensão o sente!? Este angustiante querer-sem-ser é talvez a característica mais profunda do vazio em cada ente.